Telefone: 11.4941-0688 11.4930-3537

Ela tem de parecer honesta

Ela tem de parecer honesta

Quem já não ouviu, pelo menos uma vez, a frase célebre: - não basta à mulher de César ser honesta; ela tem de parecer honesta - ?

Tenta-se a fixação da imagem desde tempos remotos, antes mesmo do advento do marketing.Quase todos – Irmãs Dulces e Madres Terezas à parte - gostam de propagar como são éticos, corretos, bem-intencionados.

Assim é, se lhe parece - eis outra frase poderosa.

E, como é que pode parecer, se não for demonstrado?

Os tempos são outros

A escravidão é prática condenada, as mulheres votam, as opções religiosas e sexuais, a cor da pele e a condição social deixaram de ser motivos legítimos para discriminação. Pelo menos na letra da lei.

Que instrumentos de pressão, legítimos, fomos capazes de criar, em apoio à lei? Porque há leis que “pegam” e outras que não.

Que tal o Código de Defesa do Consumidor? Pegou? E como !

Que tal o Código Nacional de Trânsito? Pegou pelo menos nosso bolso, e deve pegar além, como nossas habilitações para dirigir, por exemplo. É questão de tempo e decisão política.

Em termos de mercado, embora não seja propriamente lei, mas uma norma, que tal a conhecidíssima ISO 9000? Pegou? Sim, de tal forma, com tanta força, que atualmente “original” é quem ainda não se certificou segundo seus requisitos.

Outras esferas da excelência, ou a busca dela, têm sido tentadas, como o meio ambiente e a segurança do trabalho, que ainda estão a merecer instrumento de pressão mais efetivo, que pode vir a ser, quem sabe no médio prazo, o ainda jovem SGI – Sistema de Gestão Integrado

Agora, sob certificação ou auto-declaração de conformidade, vêm a SA 8000 e a AA 1000.

Novíssimos instrumentos para marketing social , essas normas têm a sorte de ter a cara do novo Brasil.Que ainda não conseguiu, no entanto, livrar-se de velhos vícios.Elas são para isso mesmo: acabar com a dependência deles, pelo compromisso público de ação de cidadania responsável e de respeito ao ser humano . E pegarão, num futuro, esperemos, muito próximo.

Uma certifica. A outra, autentica

A SA 8000 vem de ONG norte-americana ( SAI – Social Accountability International), enquanto que a AA 1000 é britânica (The Institute of Social and Ethical Accountability).

A primeira é pura expressão da ética, embora não a capitule. A outra faz remissão expressa, na concepção, a esse componente em falta em boa parte das relações de interesse.

Ambas, normas sobre Responsabilidade Social, despertam para o ideal: a sociedade integrada, pautada no respeito aos direitos e deveres de cada um de seus atores, sejam eles protagonistas ou coadjuvantes.

A SA 8000 repele o trabalho escravo, o infantil, o forçado, qualquer discriminação, todo tipo de assédio condenado socialmente e, mais recentemente, também por lei. Prega a igualdade de remuneração, a proteção à aquisição de instrução e de cultura e à liberdade de associação. Apóia-se nos numerosos documentos emitidos pela Organização Internacional do Trabalho, aos quais faz referência, seguidamente, para higiene, segurança e dignidade profissional. É norma de simples entendimento, sobretudo porque registra o óbvio, legalmente protegido, embora nem sempre cumprido ou observado.

Ser simples não significa, necessariamente, ser fácil. Sobretudo por destinar-se à pessoa humana.

Não é lei e admite a interpretação. E é aí, como diria o humorista,que mora o perigo.

É norma de gestão: estabelece o que quer, como resultado. Mas deixa ao arbítrio como chegar a ele, e nem poderia ser diferente, porque será viabilizada pelo ser humano.

Sua parceira britânica, um tanto difusa e prolixa, chega a dar alguns caminhos.

Elas se completariam, por assim dizer, como bons galhos, integrantes da mesma genealogia. Ou, uma adere à outra, como seria linguagem corrente, tratando-se de normas.

A americana, prática por definição, permite a certificação por terceira parte. A britânica, como também já dito, enseja a auto-declaração de conformidade, sem no entanto vetar a avaliação independente.

Ambas estendem os bons tentáculos por toda a cadeia de fornecimento, requerendo a manutenção, sob critérios.

No Brasil, já há empresas distinguidas por uma e por outra, com vantagem numérica nítida para a americana SA 8000, atualmente.

Como não basta ser socialmente responsável, a empresa nacional deve parecer socialmente responsável. Sobretudo aos olhos do mundo, lá fora.

Longa vida à certificação social, é o que  parece vir por aí.

Mara Lúcia Ramos, bacharel em Direito , com especialização em Direito Administrativo, administra a ABCQ há 25 anos. E-mail: lalussa@abcq.com.br


Veja Também


As Organizações contra o assédio moral

As Organizações contra o assédio moral

 

Indicadores, Objetivos e Metas para Qualidade

Indicadores, Objetivos e Metas para Qualidade

 

O modelo de maturidade de processos

O modelo de maturidade de processos